Portugal fechou 2025 com o mercado de trabalho mais robusto das últimas décadas, e os dados mais recentes confirmam essa tendência. Em 2026, o mercado de trabalho em Portugal mantém indicadores historicamente favoráveis: a taxa de desemprego caiu para os 6%, o valor mais baixo desde 2011, e a população empregada atingiu quase 5,3 milhões de pessoas — perto de máximos históricos.
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Mas por trás dos números positivos persistem desafios estruturais: o desemprego jovem continua acima dos 19%, há sectores com escassez crítica de trabalhadores e quase um em cada cinco trabalhadores ainda vive em situação de emprego precário. Neste artigo analisamos o que está a acontecer no mercado de trabalho português, quais os sectores em crescimento e o que significa tudo isto para quem está a trabalhar ou à procura de emprego.
Desemprego em mínimos históricos: o que dizem os números
De acordo com os dados finais do INE relativos a 2025, a taxa de desemprego em Portugal situou-se em 6,0% — o valor mais baixo desde 2011 e muito abaixo da média da Zona Euro. O número de desempregados registados nos serviços de emprego desceu para cerca de 310.000 pessoas no início de 2026, menos do que no mesmo período do ano anterior.
O emprego jovem também melhorou: a taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos desceu 2,1 pontos percentuais, fixando-se em 19,5%. Ainda assim, continua a ser um valor preocupante, muito acima da taxa geral e da média europeia para este grupo etário.
A população empregada média em 2025 foi de 5.275.300 pessoas, mais 163.000 do que em 2024 — um crescimento de 3,2% que coloca este ano entre os três com maior expansão do emprego na última década. Actualmente, 78,5% das pessoas entre os 20 e os 64 anos estão empregadas, o valor mais elevado dos últimos 15 anos.
Quais os setores que mais estão a crescer?
O crescimento do emprego em Portugal não é uniforme entre sectores. Os serviços dominam claramente a expansão, enquanto outras áreas registam perdas significativas.
- Alojamento e restauração: Adicionou cerca de 50.800 postos de trabalho em 2025 (+3,9%), beneficiando do forte crescimento do turismo em Portugal. É um dos sectores com maior procura de trabalhadores e onde escassez de mão de obra começa a ser crítica em época alta.
- Comércio e reparação de veículos: Continua a ser um dos maiores empregadores do país, com crescimento sustentado.
- Transportes e logística: A expansão do comércio eletrónico e das exportações impulsionou a contratação neste sector.
- Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC): Embora o crescimento absoluto seja mais modesto em termos de volume, é o sector com maior défice de profissionais qualificados. Empresas tecnológicas, tanto nacionais como estrangeiras a operar em Portugal, procuram ativamente programadores, engenheiros de dados e especialistas em cibersegurança.
- Saúde: As áreas de saúde e apoio social registam crescimento persistente, impulsionado pelo envelhecimento da população e pela expansão dos serviços privados.
- Construção e imobiliário: A forte procura habitacional mantém este sector activo, com carência de trabalhadores qualificados nas áreas técnicas.
Por outro lado, a agricultura, floresta e pesca contraiu 11,6%, perdendo cerca de 16.900 postos de trabalho — uma tendência de longo prazo que reflete a mecanização e a dificuldade em atrair trabalhadores para este sector.
O perfil do trabalhador português está a mudar
Um dos dados mais relevantes de 2025 é o crescimento do emprego entre trabalhadores com mais qualificações. O número de empregados com ensino secundário ou pós-secundário cresceu 7,0% (mais 115.900 pessoas), e os trabalhadores com ensino superior aumentaram 6,7% (mais 116.400). Estes números refletem uma maior procura por parte das empresas de perfis mais qualificados, alinhada com a transformação digital da economia portuguesa.
Os contratos sem termo (permanentes) expandiram-se em 142.600 postos (+3,9%), e o emprego a tempo inteiro cresceu 164.700 (+3,5%). A par disso, o trabalho por conta própria também aumentou 4,9%, sinalizando crescimento do empreendedorismo e das profissões liberais.
Os desafios que persistem: precariedade e escassez de talento
Apesar dos números favoráveis, o mercado de trabalho português enfrenta desafios estruturais que condicionam o futuro. Cerca de 18% da população activa continua em situação de emprego precário — contratos a termo, trabalho sazonal ou vínculos atípicos —, o que limita a segurança financeira de muitas famílias.
A escassez de trabalhadores em áreas-chave como a saúde, as TIC e as profissões técnicas industriais é outro problema crescente. Portugal compete com outros países europeus pela atração de talento qualificado, e a emigração de jovens portugueses continua a ser uma sangria que dificulta a resposta a esta procura.
O desemprego jovem, embora em descida, mantém-se num patamar elevado. Parte deste problema deve-se ao desajustamento entre a formação académica e as necessidades do mercado de trabalho, bem como à dificuldade de acesso ao primeiro emprego para recém-licenciados sem experiência profissional.
O que significa isto para quem está à procura de emprego?
Para quem está no mercado de trabalho ou a considerá-lo, os dados actuais oferecem algumas leituras práticas:
- Profissionais de TIC, saúde e engenharia têm hoje uma posição de negociação muito favorável, com múltiplas ofertas e salários em alta.
- O turismo e a restauração continuam a oferecer emprego em larga escala, mas frequentemente com condições mais precárias e sazonalidade marcada.
- Requalificação profissional é cada vez mais uma aposta estratégica: cursos de tecnologia, saúde, logística e construção sustentável têm hoje boa empregabilidade.
- Trabalho remoto está a abrir oportunidades de trabalhar para empresas estrangeiras sem sair de Portugal — uma tendência que está a crescer, especialmente nas áreas digitais.
Perspetivas para o emprego em Portugal em 2026
As previsões para 2026 apontam para uma continuação do crescimento moderado do emprego, embora a um ritmo ligeiramente inferior ao de 2025. O Banco de Portugal reviu em baixa as previsões de crescimento do PIB para 1,8%, o que poderá travar a criação de novos postos de trabalho em alguns sectores.
No entanto, o investimento estrangeiro em Portugal, o crescimento do turismo e a execução dos fundos europeus do PT2030 deverão continuar a suportar a criação de emprego, especialmente nas regiões do interior e em áreas como as energias renováveis, a construção e a economia digital.
Para empresas e trabalhadores, o desafio dos próximos anos será navegar num mercado de trabalho simultaneamente mais dinâmico e mais exigente, onde a formação contínua e a adaptabilidade são cada vez mais determinantes para o sucesso profissional.

