Portugal fechou 2025 com o maior défice da balança comercial de bens dos últimos anos: 32.100 milhões de euros, um agravamento de 3.752 milhões face ao ano anterior. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, apesar do crescimento das exportações, as importações cresceram ainda mais — pressionadas pela subida dos preços da energia e pelo consumo interno robusto.

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Mas as exportações portuguesas em 2026 têm perspetivas mais animadoras. As empresas portuguesas prevêem um crescimento das vendas ao exterior na ordem dos 5% a 9%, dependendo do sector, e o contexto internacional — apesar das incertezas geopolíticas — mantém-se relativamente favorável para os produtos e serviços que Portugal exporta. Neste artigo analisamos os dados, os desafios e as oportunidades do comércio externo português.

O que diz a balança comercial de 2025?

A balança comercial de bens registou em 2025 um défice de 32.100 milhões de euros, o que representa um agravamento de cerca de 13% face ao ano anterior. Este resultado negativo deve-se a dois movimentos paralelos:

  • As exportações cresceram 417 milhões de euros — um crescimento positivo mas modesto, que em termos percentuais representou uma variação de -2,9% em volume real.
  • As importações cresceram 4.169 milhões de euros — um aumento muito mais expressivo, pressionado pelos preços dos combustíveis, pela importação de bens de equipamento e pelo consumo privado forte.

É importante contextualizar: um défice comercial não é necessariamente um sinal de fraqueza económica. Portugal importa muito porque consome e investe — e boa parte das importações são matérias-primas e equipamentos que depois servem para produzir bens exportados. No entanto, um défice crescente pode pressionar as contas externas e a dependência do país face ao exterior.

Quais os principais produtos exportados por Portugal?

Portugal tem uma estrutura de exportações diversificada, com destaque para vários sectores:

  • Automóvel e componentes: A indústria automóvel continua a ser um dos pilares das exportações portuguesas, com a Autoeuropa e os fabricantes de componentes a exportar para toda a Europa.
  • Têxteis, vestuário e calçado: Portugal mantém uma posição de relevo nas exportações de produtos de moda de qualidade, especialmente para os mercados europeus e norte-americano.
  • Máquinas e equipamentos: O sector industrial exporta maquinaria e equipamentos técnicos com crescente valor acrescentado.
  • Produtos alimentares e bebidas: O vinho, o azeite, o bacalhau, a cortiça e os produtos do mar são embaixadores da marca Portugal nos mercados internacionais.
  • Serviços de tecnologia e turismo: Embora não entrem diretamente na balança de bens, os serviços — especialmente o turismo (que gerou quase 30 mil milhões de euros em 2025) e os serviços digitais — contribuem positivamente para a balança de pagamentos global.

Para onde exporta Portugal?

A União Europeia continua a ser o destino dominante das exportações portuguesas, representando cerca de 73% do total. Os principais mercados de destino são:

  • Espanha: O principal parceiro comercial de Portugal, tanto nas exportações como nas importações.
  • França e Alemanha: Mercados de grande dimensão e exigência, que absorvem produtos industriais e de consumo portugueses.
  • Reino Unido: Apesar do impacto do Brexit, mantém-se um destino relevante para os produtos portugueses.
  • Estados Unidos: Destino crescente, especialmente para o vinho, têxteis premium e serviços digitais.
  • Angola e outros PALOP: Os países africanos de língua portuguesa continuam a ser mercados relevantes para as exportações portuguesas, com vantagens históricas e linguísticas.

O que prevêem as empresas portuguesas para 2026?

De acordo com dados do INE, as empresas exportadoras portuguesas apresentam previsões optimistas para 2026:

  • As empresas pertencentes a grupos económicos prevêem um crescimento de 5,9% nas exportações em 2026.
  • As empresas não integradas em grupos económicos antecipam um crescimento ainda mais expressivo, de 8,9%.
  • Em média, o sector exportador espera crescer 5,1% nas vendas ao exterior.

Este optimismo baseia-se em vários factores: a recuperação da procura europeia, a diversificação de mercados iniciada após os choques da pandemia e da guerra, e a melhoria da competitividade de alguns sectores portugueses.

Quais os principais riscos e desafios?

Apesar das perspetivas positivas, as exportações portuguesas enfrentam riscos reais em 2026:

  • Preços da energia: A volatilidade do petróleo e do gás aumenta os custos de produção e pode reduzir a competitividade dos produtos portugueses nos mercados externos.
  • Incerteza geopolítica: Conflitos regionais e tensões comerciais internacionais (incluindo tarifas entre os EUA e a UE) podem condicionar os fluxos de exportação.
  • Valorização do euro: Um euro forte torna os produtos europeus mais caros nos mercados fora da zona euro, como os EUA ou o Brasil.
  • Concorrência asiática: Em sectores como o têxtil e o calçado, a concorrência dos países asiáticos com custos mais baixos mantém-se uma ameaça constante.
  • Acesso a financiamento: As PME exportadoras continuam a encontrar dificuldades no acesso a crédito e a instrumentos de garantia para internacionalização.

Como as PME podem aproveitar os apoios à exportação?

Portugal dispõe de vários mecanismos de apoio às empresas que querem exportar ou expandir a sua presença nos mercados externos:

  • AICEP — Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal: Presta apoio informativo, acompanhamento e facilitação de contactos internacionais para empresas que querem internacionalizar-se.
  • Fundos PT2030: O quadro comunitário de apoio inclui verbas específicas para a internacionalização e competitividade das empresas portuguesas.
  • COSEC — Companhia de Seguro de Créditos: Oferece seguros de crédito à exportação que protegem as empresas do risco de não pagamento por parte de clientes estrangeiros.
  • Linha de Crédito à Internacionalização: Linhas de crédito específicas, com condições mais favoráveis, para apoiar empresas a financiar as suas operações nos mercados externos.

Para as empresas que ainda não exportam, pode valer a pena consultar a AICEP ou uma associação sectorial da sua área de actividade para perceber como dar os primeiros passos na internacionalização.

Conclusão: um sector com desafios mas com perspetivas

A balança comercial portuguesa reflecte uma economia em transição — que consome e importa mais porque cresce, mas que precisa de continuar a aumentar o valor acrescentado das suas exportações para equilibrar as contas externas a longo prazo. As perspetivas para 2026 são moderadamente positivas, mas a concretização desse potencial dependerá da capacidade das empresas portuguesas em diferenciar os seus produtos, conquistar novos mercados e fazer face a um contexto internacional cada vez mais volátil.

O caminho passa por mais qualidade, mais inovação e mais diversificação de destinos. E, para as PME que queiram dar esse salto, nunca houve tantos instrumentos de apoio disponíveis como hoje.