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Crédito Habitação Atinge Máximos Históricos em Portugal: O Que Deve Saber em 2026

O stock de crédito habitação em Portugal ultrapassou os 112 mil milhões de euros — um máximo histórico que reflete a forte procura de casa e a descida dos juros.

O mercado de crédito habitação em Portugal está a bater recordes. O stock total de empréstimos para compra de casa chegou aos 112,4 mil milhões de euros no final de fevereiro de 2026, o que representa um crescimento anual de 10,4% — a taxa de expansão mais elevada desde fevereiro de 2006.

Estes dados refletem um mercado imobiliário muito ativo, alimentado pela descida das taxas de juro verificada ao longo de 2024 e 2025, pelas garantias públicas para jovens e pela escassez persistente de habitação acessível. Mas à medida que as Euribor voltam a subir, surgem algumas questões sobre a sustentabilidade deste crescimento.

O Que Está Por Detrás do Crescimento do Crédito Habitação?

Vários fatores explicam a expansão extraordinária do crédito habitação em Portugal nos últimos dois anos:

  • Descida das taxas de juro: Entre meados de 2023 e finais de 2025, o BCE reduziu progressivamente as taxas diretoras, o que fez descer as Euribor e tornou os empréstimos mais baratos. Muitas famílias que tinham adiado a compra de casa durante o período de taxas elevadas aproveitaram este ciclo descendente.
  • Garantias públicas para jovens: O Governo português implementou um regime de garantias públicas para facilitar o acesso ao crédito habitação a jovens até aos 35 anos, permitindo financiamentos acima dos 80% do valor do imóvel sem necessidade de uma entrada tão elevada. Esta medida estimulou a procura de novos contratos.
  • Mercado imobiliário aquecido: A escassez de oferta de habitação nas principais cidades — especialmente Lisboa, Porto e zonas costeiras — mantém os preços dos imóveis elevados, obrigando os compradores a recorrer a empréstimos de valor mais alto.
  • Procura de residentes estrangeiros: Portugal continua a atrair residentes de outros países europeus e de fora da União Europeia, aumentando a procura por habitação e pressionando ainda mais os preços.

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Os Novos Créditos São Muito Mais Elevados do Que os Antigos

Um dado que merece particular atenção: os novos contratos de crédito habitação celebrados em 2025 e início de 2026 têm um montante médio aproximadamente 120% superior à média dos contratos existentes. Isto significa que os compradores atuais estão a endividar-se consideravelmente mais do que as gerações anteriores — em grande medida porque os preços dos imóveis subiram muito mais depressa do que os rendimentos.

Este fenómeno cria uma exposição significativa ao risco de taxa de juro para os novos mutuários. Um aumento de 1 ponto percentual na taxa de juro num empréstimo de 200 000 euros a 30 anos traduz-se num acréscimo de cerca de 450 euros por mês na prestação — um impacto muito expressivo para a maioria das famílias.

A Subida da Euribor: Um Alerta a Tempo

Com a Euribor a 6 e 12 meses a superar os 2,5% em março de 2026, e perante a possibilidade de novas subidas caso a pressão inflacionista se mantenha, os especialistas recomendam que os mutuários recentes façam uma avaliação cuidadosa da sua capacidade financeira.

Nuno Rico, economista da DECO PROteste, tem sublinhado que “o tempo de atuar é já” para as famílias que querem proteger-se da volatilidade das taxas variáveis. As principais recomendações incluem:

  • Explorar contratos com taxa mista (período inicial a taxa fixa seguido de taxa variável), que permitem uma proteção temporária contra subidas;
  • Construir uma reserva financeira de emergência equivalente a, pelo menos, três a seis meses de prestações;
  • Simular o impacto de uma subida de 1 a 2 pontos percentuais na taxa de juro no orçamento familiar, para perceber se a margem de segurança é suficiente.

O Que Dizem os Reguladores?

O Banco de Portugal monitoriza de perto a evolução do mercado de crédito habitação e tem vindo a publicar avisos sobre os riscos de um endividamento excessivo. As regras macroprudenciais em vigor — nomeadamente os limites ao rácio loan-to-value (LTV) e loan-to-income (LTI) — visam evitar que as famílias contraiam empréstimos que excedam a sua capacidade de reembolso.

Em termos gerais, o Banco de Portugal recomenda que a prestação mensal do crédito habitação não ultrapasse 35-40% do rendimento mensal líquido do agregado familiar. Este indicador — designado taxa de esforço — é um dos critérios utilizados pelos bancos na análise de crédito e pode ser verificado pelos próprios consumidores antes de avançar para um pedido de empréstimo.

Vale a Pena Comprar Casa Agora?

Esta é provavelmente a questão que mais famílias se colocam em 2026. Não existe uma resposta universal — a decisão depende de fatores como a estabilidade profissional, a capacidade de entrada, a localização pretendida e a perspetiva de permanência a longo prazo.

Do ponto de vista estritamente financeiro, pode valer a pena considerar:

  • Se os preços dos imóveis na zona que pretende ainda oferecem margem razoável face ao seu rendimento;
  • Se consegue suportar a prestação mesmo num cenário de taxas 1 a 2 pontos percentuais acima do atual;
  • Se tem uma entrada mínima de 10 a 20% do valor do imóvel (fora das situações cobertas pelas garantias públicas para jovens), para reduzir o endividamento inicial.

Antes de tomar uma decisão desta importância, convém consultar um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal, que pode ajudar a comparar as propostas dos vários bancos e encontrar as condições mais adequadas à sua situação específica.