Com a taxa a subir para 2,138% em abril, os Certificados de Aforro voltam a estar em destaque — mas valem a pena face a outras alternativas de poupança?
Os Certificados de Aforro da Série F vão render 2,138% em abril de 2026 — a taxa mais elevada desde abril de 2025 e a primeira subida deste ano após três descidas consecutivas. A recuperação da taxa coincide com a subida das Euribor nas últimas semanas de março e traz uma boa notícia para os portugueses que têm poupanças neste produto do Estado. Mas será que os Certificados de Aforro continuam a ser uma boa opção de investimento? Neste artigo, analisamos a nova taxa, o seu funcionamento e as principais alternativas disponíveis no mercado.
Certificados de Aforro em abril de 2026: taxa sobe para 2,138%, o valor mais alto em um ano
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Como se Calcula a Taxa dos Certificados de Aforro?
A Série F dos Certificados de Aforro — a única atualmente disponível para subscrição no Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) — tem a sua taxa base definida com referência à média da Euribor a 3 meses observada nos 10 dias úteis anteriores ao início de cada período de contagem de juros.
Este mecanismo explica por que razão a taxa dos Certificados de Aforro subiu em abril: a Euribor a 3 meses registou uma recuperação nas últimas semanas de março, depois de um período de descida. Como resultado, a taxa base para o mês de abril ficou fixada em 2,138%.
Além da taxa base, a Série F incorpora um prémio de permanência que aumenta progressivamente com o tempo de investimento. Este prémio recompensa os aforradores que mantêm o seu dinheiro aplicado por períodos mais longos, tornando o produto mais atrativo para horizontes de investimento de médio prazo.
Qual é a Rentabilidade Líquida Real?
Uma taxa bruta de 2,138% não significa necessariamente que o seu dinheiro vai crescer 2,138% por ano. É preciso considerar dois fatores fundamentais: a fiscalidade e a inflação.
Em termos fiscais, os juros dos Certificados de Aforro estão sujeitos a retenção na fonte de 28% (a título definitivo para a maioria dos contribuintes). Após esta retenção, a rentabilidade líquida de impostos para a taxa de abril fica em aproximadamente 1,54%.
Com uma inflação a rondar os 2,7% em março de 2026, o rendimento líquido dos Certificados de Aforro neste momento é negativo em termos reais — ou seja, o poder de compra do aforrador está a diminuir mesmo após receber os juros. Esta situação não é exclusiva dos Certificados de Aforro: a grande maioria dos produtos de poupança de baixo risco enfrenta o mesmo desafio quando a inflação supera as taxas de rendimento líquido.
Alternativas aos Certificados de Aforro
Perante este contexto, pode valer a pena comparar os Certificados de Aforro com outras alternativas de poupança disponíveis em Portugal:
- Depósitos a prazo: Os bancos portugueses têm vindo a oferecer taxas mais competitivas nos depósitos a prazo de curto e médio prazo. Em março de 2026, algumas instituições praticavam taxas brutas entre 2,5% e 3,2% para prazos de 6 a 12 meses. Convém comparar as propostas disponíveis no mercado.
- Certificados do Tesouro: Os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) oferecem uma taxa crescente ao longo dos cinco anos de maturidade, com um bónus anual calculado sobre o crescimento do PIB português. Para investidores com horizonte de longo prazo, podem ser mais interessantes do que a Série F dos Certificados de Aforro.
- Fundos do mercado monetário: Para quem tem maior apetência pelo mercado de capitais, os fundos do mercado monetário em euros têm apresentado rendimentos interessantes, acima de 2% anuais líquidos. Contudo, este tipo de produto envolve riscos que não existem nos produtos do Estado.
- Obrigações do Tesouro: O Estado português emite regularmente obrigações para investidores particulares. Algumas séries recentes têm oferecido rendimentos fixos competitivos, com o benefício da garantia do Estado. Mais informações disponíveis em igcp.pt.
Quem Beneficia Mais dos Certificados de Aforro?
Apesar da rentabilidade líquida modesta no contexto atual, os Certificados de Aforro continuam a ter características que os tornam atrativos para determinados perfis de aforrador:
- Investidores conservadores: São um produto do Estado português, com garantia total do capital e sem risco de crédito relevante.
- Aforradores de longo prazo: O prémio de permanência da Série F aumenta ao longo do tempo, melhorando a rentabilidade para quem mantém o investimento por vários anos.
- Quem valoriza a liquidez: Os Certificados de Aforro podem ser reembolsados a qualquer momento (após o 1.º mês), sem penalizações além dos juros não vencidos. Esta flexibilidade é superior à dos depósitos a prazo com prazo fixo.
Como Subscrever Certificados de Aforro?
A subscrição dos Certificados de Aforro Série F é feita exclusivamente através do portal AforroNet (aforronet.igcp.pt) ou nos balcões dos CTT — Correios de Portugal. O investimento mínimo é de 100 euros e o máximo é de 250 000 euros por titular. Cada aforrador pode ter apenas uma conta de aforro ativa.
Antes de investir, convém ler atentamente o prospeto do produto e, se necessário, consultar um consultor financeiro ou utilizar os simuladores disponíveis na AforroNet para perceber qual será o rendimento esperado no seu caso concreto.
Em resumo, a subida da taxa para 2,138% em abril é uma boa notícia para os detentores de Certificados de Aforro, mas não resolve o problema da rentabilidade real negativa no contexto de inflação atual. Para quem está a ponderar onde aplicar as suas poupanças, pode valer a pena comparar várias opções antes de decidir.


