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Comércio Eletrónico em Portugal em 2026: Mercado Supera 13,5 Mil Milhões e MB WAY Lidera Pagamentos

O e-commerce em Portugal ultrapassou os 13,5 mil milhões de euros em 2026, com o MB WAY a consolidar-se como o método de pagamento preferido online.

O comércio eletrónico em Portugal continua a crescer a um ritmo sólido. Em 2026, as projeções apontam para um mercado que ultrapassa os 13,5 mil milhões de euros — um salto significativo face aos 12,26 mil milhões registados em 2024, quando mais de 5 milhões de portugueses compraram pelo menos uma vez online. O setor representa hoje cerca de 18% do retalho total em Portugal, uma quota que continua a crescer.

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Mas este crescimento não é apenas quantitativo. A maturidade do mercado está a mudar os padrões de consumo, os métodos de pagamento preferidos e até a forma como os portugueses encaram a compra de artigos em segunda mão. Perceber estas tendências é útil tanto para consumidores como para quem pensa lançar ou expandir um negócio online.

MB WAY Ultrapassa o PayPal e Lidera os Pagamentos Online

Uma das mudanças mais marcantes no e-commerce português em 2026 é a consolidação do MB WAY como o método de pagamento online mais utilizado no país. Com uma quota de 49,8%, o serviço da SIBS superou o PayPal (46,4%) e o cartão de crédito como opção preferida dos portugueses quando compram na internet.

Esta inversão reflete a confiança crescente dos consumidores no sistema de pagamentos móveis nacional e a facilidade de uso do MB WAY, que não exige a introdução de dados de cartão a cada transação. A integração com as principais lojas online portuguesas e internacionais também ajudou a consolidar esta preferência.

Outro fenómeno em expansão é o Buy Now, Pay Later (BNPL) — comprar agora e pagar mais tarde, sem juros ou com juros reduzidos. Em 2024, esta modalidade representava apenas 2,2% das transações online em Portugal; em 2026, já ultrapassou os 4,4% e as projeções apontam para que supere os 8% no final do ano. Plataformas como a Klarna e a Cofidis têm impulsionado este crescimento, especialmente em categorias de maior valor como eletrónica, moda e artigos para o lar.

Alimentação Online: 2,8 Milhões de Portugueses Já Compram Supermercado pela Internet

O segmento das compras de supermercado online é um dos que mais tem crescido em Portugal. Em 2026, estima-se que 2,8 milhões de portugueses já compram regularmente produtos alimentares pela internet — um crescimento de 7,7% face ao ano anterior. A conveniência da entrega ao domicílio e as promoções exclusivas para o canal online são os principais fatores que explicam esta adesão.

Os grandes supermercados nacionais — Continente, Pingo Doce, Intermarché e Auchan — têm investido significativamente nas suas plataformas digitais e na capacidade logística para responder a esta procura. O prazo de entrega, que era há poucos anos um obstáculo, é hoje frequentemente de um ou dois dias úteis, e em algumas zonas metropolitanas já existe entrega no próprio dia.

Mercado de Segunda Mão: 44% dos Compradores Online Já Compram Usado

Uma das tendências mais interessantes do e-commerce português é a explosão do mercado de segunda mão. Em 2026, 44% dos compradores online em Portugal já adquirem artigos usados através de plataformas digitais. A Vinted domina este segmento, com uma presença esmagadora na moda, acessórios e artigos infantis.

Esta tendência é particularmente marcante na Geração Z: 54,9% dos jovens vendedores desta geração prevê aumentar as vendas de artigos em segunda mão ao longo de 2026. Os motivos são tanto económicos — a pressão do custo de vida leva a preferir artigos mais baratos — como ambientais, com uma consciência crescente sobre a pegada ecológica do consumo de moda rápida.

Para além da Vinted, plataformas como o OLX, a Wallapop e o Facebook Marketplace mantêm uma presença relevante, sobretudo para artigos de maior dimensão como móveis, eletrodomésticos e equipamentos desportivos.

Onde Estão as Maiores Oportunidades Para Negócios Online

Para empreendedores e empresas que queiram apostar no comércio eletrónico em Portugal, os segmentos com maior potencial de crescimento em 2026 são:

  • Alimentação e mercearia online: Ainda com margem para crescer, especialmente fora das áreas metropolitanas.
  • Saúde e bem-estar: Suplementos, equipamento desportivo e produtos de cuidado pessoal têm crescido acima da média.
  • Casa e decoração: Impulsionado pelo mercado imobiliário ativo e pelo aumento das obras de renovação.
  • Artigos para animais de estimação: Um dos segmentos com maior fidelização de clientes e margens interessantes.
  • Produtos locais e artesanato: A valorização do “feito em Portugal” tem impulsionado plataformas que destacam produtores locais.

Os Desafios do Setor em 2026

Apesar do crescimento, o comércio eletrónico em Portugal enfrenta desafios relevantes. O principal é a concorrência das plataformas asiáticas — como o Temu e o AliExpress — que oferecem preços muito baixos, colocando pressão sobre os retalhistas nacionais. A entrada em vigor de novas regras de IVA para importações de baixo valor (abaixo de 150 euros) a partir de 2025 igualou o terreno fiscal, mas a vantagem de preço das plataformas asiáticas mantém-se.

A logística de última milha continua a ser um custo relevante, especialmente para empresas mais pequenas sem escala suficiente para negociar contratos vantajosos com operadores logísticos. A sustentabilidade das embalagens e a gestão de devoluções são também preocupações crescentes, tanto do ponto de vista financeiro como ambiental.

O Consumidor Português em 2026: Mais Exigente, Mais Informado

O perfil do comprador online português em 2026 é o de um consumidor mais maduro e mais exigente. Compara preços em múltiplas plataformas antes de comprar, lê avaliações de outros utilizadores, valoriza a rapidez da entrega e exige políticas de devolução claras e sem complicações.

O crescimento moderado mas sustentado do setor — em linha com a maturidade do mercado — indica que o e-commerce em Portugal está a atingir uma fase de consolidação. Crescer agora exige mais diferenciação, melhor serviço e uma proposta de valor clara. Para os consumidores, isso significa mais escolha, mais comodidade e, em muitos casos, melhores preços do que no comércio físico.