O metro quadrado ultrapassou os 3.107 euros em março numa subida de 12% face ao ano anterior, confirmando os máximos históricos do imobiliário português.
O mercado imobiliário português continua a bater recordes em 2026. Segundo dados recentes, os preços das casas em Portugal subiram 12% em março face ao mesmo mês de 2025, atingindo um custo mediano de 3.107 euros por metro quadrado — um novo máximo histórico. Este resultado confirma que a tendência de valorização dos imóveis residenciais em Portugal mantém-se sólida, apesar das expectativas de muitos que aguardavam uma correção dos preços. Neste artigo analisamos o que está a acontecer, onde os preços são mais elevados e o que pode significar para quem quer comprar ou arrendar casa.
Nova Lei do Arrendamento em Portugal 2026: IRS de 10% para Senhorios e Mais Proteção para Inquilinos
A nova lei do arrendamento introduz um IRS de 10% para senhorios e reforça a proteção dos inquilinos…
Banco Português de Fomento e InvestEU 2026: 6,5 Mil Milhões Para Financiar as Empresas Portuguesas
O BPF e o programa InvestEU disponibilizam 6,5 mil milhões de euros para apoiar a expansão e moderni…
Quanto Custa Comprar Casa em Portugal em 2026?
O preço mediano de venda de habitação em Portugal atingiu os 3.107 euros por metro quadrado em março de 2026. Este valor representa uma subida de 12% face a março de 2025 e constitui um novo máximo histórico no mercado residencial português.
A variação de preços é, no entanto, muito significativa consoante a região do país:
- Área Metropolitana de Lisboa: 4.322 euros/m² — a região mais cara do país
- Algarve: 3.899 euros/m² — muito procurado por compradores nacionais e estrangeiros
- Madeira: 3.761 euros/m² — valorização acentuada nos últimos anos
- Norte (incluindo Porto): 2.459 euros/m² — o Porto em particular atingiu 4.060 euros/m²
- Alentejo: 1.972 euros/m²
- Açores: 1.952 euros/m²
- Centro: 1.734 euros/m² — a região mais acessível do país continental
Estes dados revelam um mercado profundamente desigual no território nacional, com os grandes centros urbanos e as regiões turísticas a registarem preços muito acima da mediana nacional.
Por Que Continuam os Preços a Subir?
A persistência da subida dos preços do imobiliário em Portugal deve-se a um conjunto de fatores que se reforçam mutuamente. Do lado da procura, a situação económica favorável do país, com crescimento do PIB acima da média europeia e baixo desemprego, tem sustentado uma procura interna robusta. A este fator somam-se os apoios ao acesso à habitação para jovens, que têm estimulado a compra de primeira habitação, e a continuada atração de compradores estrangeiros que veem em Portugal um destino atraente.
Do lado da oferta, a escassez de habitação disponível para venda mantém-se como o principal constrangimento do mercado. A construção nova tem aumentado, mas a um ritmo ainda insuficiente para satisfazer a procura. A burocracia associada aos licenciamentos, a escassez de terrenos urbanizáveis nas zonas mais procuradas e os custos de construção elevados são obstáculos que atrasam o ajustamento do mercado.
O Que Dizem os Especialistas Sobre a Evolução dos Preços?
As perspetivas dos especialistas para 2026 apontam para uma desaceleração do ritmo de subida dos preços, mas não para uma correção generalizada. A maioria dos analistas espera que o mercado continue a valorizar, embora de forma mais moderada do que os dois dígitos registados em março.
Algumas regiões e segmentos de mercado específicos poderão registar estabilização ou ligeiras correções, nomeadamente em segmentos de habitação de valor mais elevado ou em zonas com menor pressão de procura. No entanto, nas grandes cidades e nas regiões costeiras, a pressão da procura deverá manter-se elevada.
Os analistas alertam ainda para o impacto da subida da Euribor nas prestações de crédito habitação. O aumento dos encargos mensais pode levar algumas famílias a adiar a decisão de compra, o que poderia moderar ligeiramente a procura e, por consequência, a velocidade de subida dos preços.
Comprar ou Arrendar? Uma Decisão Complexa
Face aos preços atuais, a questão de comprar ou arrendar casa tornou-se ainda mais difícil de responder. Para quem pondera comprar, os preços elevados e a subida das taxas de juro aumentam o esforço financeiro necessário. Para quem prefere arrendar, as rendas também se mantêm em valores historicamente elevados nas principais cidades.
A decisão depende de múltiplos fatores individuais: a estabilidade profissional e financeira, as perspetivas de permanência na localidade, as condições do crédito disponível e as expectativas pessoais sobre a evolução do mercado. Pode valer a pena consultar um consultor imobiliário e um intermediário de crédito para analisar as opções disponíveis à luz da sua situação particular.
Apoios ao Acesso à Habitação em Portugal
Perante o contexto de preços elevados, o Governo português tem mantido e reforçado alguns apoios ao acesso à habitação, nomeadamente para jovens. Entre os mecanismos disponíveis, destacam-se a isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens até 35 anos na compra de primeira habitação própria permanente, bem como o acesso a garantias públicas para crédito habitação que permitem financiar a totalidade do valor do imóvel em determinadas condições.
Para quem esteja a ponderar comprar casa em 2026, convém informar-se junto dos bancos e dos serviços de atendimento ao cidadão sobre os apoios disponíveis e os critérios de acesso. Convém igualmente consultar um especialista para perceber quais as melhores condições de crédito disponíveis no mercado.
Nota: Os dados de preços apresentados neste artigo baseiam-se em informação disponível até 2 de abril de 2026. O mercado imobiliário é dinâmico e os preços podem variar significativamente consoante a localização específica, o tipo e estado de conservação do imóvel. Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento de investimento imobiliário.


