O mercado imobiliário português continua a bater recordes em 2026, com preços a subir em todas as regiões e a procura a superar a oferta disponível.
Comprar casa em Portugal ficou ainda mais difícil. Os preços das habitações atingiram um novo máximo histórico em janeiro de 2026, com o valor médio nacional a subir para 3.047 euros por metro quadrado — um aumento de 13,1% face ao mesmo mês de 2025. Em Lisboa, o metro quadrado ultrapassa os 6.000 euros. No Porto, chegou a 4.060 euros por metro quadrado em fevereiro, também um novo recorde.
Exportações Portuguesas Caem 14% em Janeiro de 2026: O Que Está a Acontecer?
As exportações portuguesas recuaram 14% em janeiro de 2026, afetadas pelas tarifas americanas e pela…
Pensões de Reforma em Portugal 2026: Aumento de 2,8%, Nova Idade e Como Calcular a Sua
As pensões de reforma em Portugal 2026 subiram até 2,8%. Veja novos valores, nova idade legal de 66 …
Para quem está à procura de casa, os números podem parecer desanimadores. Para quem já é proprietário, representam uma valorização significativa do seu património. Mas o que está a impulsionar estas subidas? E há esperança de que os preços abrandem?
Neste artigo, analisamos o estado atual do mercado imobiliário português, as razões por detrás dos preços elevados e o que os especialistas preveem para os próximos meses.
Lisboa e Porto: os epicentros da subida de preços
Lisboa continua a ser a cidade mais cara do País. Em fevereiro de 2026, o preço médio da habitação na capital situou-se nos 6.059 euros por metro quadrado, representando uma subida de 9,9% em termos anuais. Apesar de uma ligeira descida mensal de 0,1% face a janeiro, os valores continuam a crescer no médio prazo.
O Porto é a grande surpresa recente. Com uma subida anual de 11,5%, o preço médio na cidade chegou aos 4.060 euros por metro quadrado em fevereiro de 2026, batendo um novo máximo histórico. Este crescimento é impulsionado pela procura de habitação de turistas e trabalhadores estrangeiros, pela oferta limitada de imóveis disponíveis e pela crescente atratividade do Porto como destino de vida e investimento.
Fora das duas principais cidades, Braga também atingiu novos máximos de preço em fevereiro, refletindo uma tendência de descentralização que está a valorizar as cidades do interior e do norte do País.
Por que continuam os preços a subir?
A escalada dos preços não é acidental. Resulta de vários fatores estruturais que se acumularam ao longo dos anos:
- Oferta insuficiente: a construção nova em Portugal não acompanhou o aumento da procura. A burocracia, os custos de construção e a falta de terrenos urbanizáveis nas grandes cidades limitam o ritmo a que novos imóveis chegam ao mercado
- Procura estrangeira: Portugal continua a atrair investidores e residentes estrangeiros — de reformados europeus a nómadas digitais e investidores imobiliários — que competem com os compradores nacionais
- Alojamento local: a conversão de imóveis em alojamento turístico reduziu a oferta disponível para arrendamento e compra, especialmente em Lisboa e no Porto
- Queda das taxas de juro: a descida da Euribor ao longo de 2024 e 2025 tornou o crédito habitação mais acessível, aumentando a procura por imóveis
Ao mesmo tempo, os salários em Portugal não cresceram ao mesmo ritmo que os preços das casas, tornando o esforço financeiro para adquirir habitação progressivamente maior para as famílias com rendimentos médios.
Rendas vs. preço de venda: um desequilíbrio crescente
Um dado particularmente revelador do estado do mercado imobiliário é a divergência entre preços de venda e rendas. Enquanto os preços das casas subiram 12,6% em 2025, as rendas cresceram apenas 2,1% no mesmo período, segundo dados da Deco Proteste.
Esta divergência reduz a rentabilidade do investimento imobiliário para arrendamento, já que o custo de aquisição aumentou muito mais do que o rendimento potencial. Um imóvel que custe 300.000 euros em Lisboa pode gerar uma renda de 1.200 a 1.500 euros mensais — uma rentabilidade bruta de cerca de 5% a 6%, que diminui significativamente após impostos, despesas de manutenção e períodos sem inquilino.
Para potenciais compradores que ponderam investir em imobiliário para arrendamento, pode valer a pena fazer os cálculos com cuidado antes de avançar.
O que esperar do mercado imobiliário no resto de 2026
As previsões para o mercado imobiliário português em 2026 são moderadamente otimistas, mas com nuances importantes. A maioria dos especialistas antecipa um abrandamento no ritmo de crescimento dos preços, sem uma queda generalizada.
Alguns analistas apontam para que as diferenças começarão a sentir-se mais claramente até ao final de 2026, com zonas onde os preços se estabilizaram e outras onde as correções pontuais já estão em curso. A pressão do lado da oferta — com mais projetos de construção nova a chegarem ao mercado — poderá contribuir para moderar as subidas nas cidades onde há mais atividade construtiva.
Os fatores de risco incluem uma eventual subida da Euribor (que tornaria o crédito habitação mais caro), uma deterioração do contexto económico global ou uma revisão das políticas de arrendamento que afete a atratividade do investimento imobiliário.
Conselhos para quem quer comprar casa em 2026
Se está à procura de casa, o contexto atual exige preparação cuidadosa. Algumas considerações que podem ajudar:
- Defina o seu orçamento de forma realista, incluindo não só o valor do imóvel mas também os custos de transação (IMT, imposto de selo, escritura) e obras eventuais
- Simule diferentes cenários de Euribor ao avaliar a prestação mensal que consegue suportar, incluindo um cenário com taxas mais altas
- Compare propostas de pelo menos três bancos antes de decidir onde fazer o crédito habitação
- Considere zonas alternativas às mais caras — municípios como Almada, Amadora, Odivelas ou Braga oferecem boa qualidade de vida a preços mais acessíveis do que Lisboa e Porto
- Procure aconselhamento profissional — um intermediário de crédito certificado pelo Banco de Portugal pode ajudá-lo a encontrar as melhores condições de financiamento
O mercado imobiliário português continua dinâmico, mas os preços elevados tornam cada vez mais importante uma abordagem informada e ponderada antes de tomar uma das maiores decisões financeiras da vida.


