As exportações portuguesas recuaram 14% em janeiro de 2026, afetadas pelas tarifas americanas e pela desaceleração da procura nos mercados europeus.
As exportações portuguesas de bens registaram uma queda de 14,1% em janeiro de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, num arranque de ano claramente abaixo das expectativas. O défice da balança comercial de bens alargou-se para 2.510 milhões de euros, um agravamento de 778 milhões de euros face a janeiro de 2025. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em março de 2026 e revelam um cenário exigente para a economia nacional logo no início do ano.
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O Que Dizem os Números do INE
De acordo com o INE, as exportações de bens recuaram 14,1% em termos homólogos em janeiro de 2026. As importações diminuíram de forma mais moderada, apenas 2,5%. O resultado foi um forte alargamento do défice da balança comercial de bens, que passou de cerca de 1.732 milhões de euros em janeiro de 2025 para 2.510 milhões de euros em janeiro de 2026.
Este dado é relevante para entender a saúde económica do país: quando as exportações caem mais do que as importações, Portugal fica a comprar mais ao exterior do que vende, o que pressiona a conta corrente e pode limitar o crescimento económico.
É importante notar que janeiro é historicamente um mês de menor atividade exportadora, dado que muitas empresas retomam operações após as paragens de fim de ano. No entanto, a magnitude desta queda — superior a 14% — vai além do padrão sazonal habitual.
Quais os Sectores Mais Afetados
A análise sectorial revela que a queda nas exportações não foi uniforme. Há segmentos que sentiram o impacto de forma especialmente intensa:
- Fornecimentos industriais: As exportações nesta categoria caíram 27,5%, em grande parte associadas a transações de trabalho por encomenda com a Alemanha. Este tipo de operações — onde Portugal processa materiais e os reexporta — é sensível a flutuações na procura industrial europeia.
- Combustíveis e lubrificantes: A queda neste sector foi de 33,5%, resultante tanto de menor volume transacionado (-25,5%) como de preços mais baixos (-10,7%). Este recuo está relacionado com paragens técnicas na refinaria nacional nos últimos meses de 2025.
- Exportações para Espanha: As vendas para o principal parceiro comercial de Portugal caíram 7,4%, essencialmente devido à redução dos combustíveis e fornecimentos industriais. Espanha representa habitualmente mais de 25% das exportações portuguesas de bens.
Contexto: O Ano de 2025 Já Tinha Sido Fraco
Janeiro de 2026 não surge num vácuo. O ano de 2025 já tinha sido dececionante para as exportações portuguesas: no total do ano, as exportações de bens cresceram apenas 0,5%, enquanto as importações subiram 3,9%, agravando o défice comercial. Para comparação, em 2024 as exportações tinham crescido 2%.
Esta tendência de desaceleração das exportações é preocupante, especialmente numa economia em que o sector externo tem sido um dos motores de crescimento nas últimas décadas. Apesar dos maus dados de início de ano, as empresas exportadoras portuguesas mostravam-se relativamente otimistas para 2026. Segundo o ECO, as empresas contavam subir as suas vendas externas em 5,1% ao longo de 2026 — o que significa que os dados de janeiro poderão refletir fatores temporários, como as paragens industriais e a volatilidade dos preços dos combustíveis.
O Papel do Contexto Internacional
O contexto macroeconómico internacional em 2026 é particularmente desafiante para as exportações europeias. A instabilidade geopolítica, as tensões comerciais globais e a incerteza em torno das políticas tarifárias dos principais parceiros comerciais criam um ambiente de maior cautela por parte das empresas importadoras.
Para Portugal, que exporta para mais de 200 países mas tem nos parceiros europeus (especialmente Espanha, França e Alemanha) os seus principais destinos, a evolução da procura interna europeia é determinante. Uma desaceleração económica na Alemanha — que atravessou dificuldades industriais em 2024 e 2025 — repercute-se inevitavelmente nas exportações portuguesas de componentes e fornecimentos industriais.
Exportações de Serviços: Um Fator de Equilíbrio
Importa distinguir entre exportações de bens e exportações de serviços. Os dados do INE referem-se essencialmente às exportações de bens (produtos físicos). No entanto, Portugal tem uma componente crescente de exportações de serviços — turismo, tecnologia, serviços profissionais — que não está incluída nesta estatística.
O turismo, em particular, tem sido um dos grandes sustentáculos da economia portuguesa nos últimos anos. Em 2025, Portugal registou receitas turísticas recordes, aproximando-se dos 29 mil milhões de euros. Esta dinâmica ajuda a compensar parcialmente o défice na balança de bens, tornando necessário analisar os dados de forma integrada antes de tirar conclusões sobre a saúde económica externa do país.
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O Que Esperar para os Próximos Meses
Os dados de fevereiro e março de 2026, quando divulgados pelo INE, darão uma perspetiva mais clara sobre se a queda de janeiro foi pontual ou o início de uma tendência mais persistente. Os analistas tendem a ser cautelosos: os fatores que explicam a queda — paragem da refinaria, menor procura alemã de fornecimentos industriais — são em parte temporários.
As empresas exportadoras portuguesas terão de continuar a apostar na diversificação de mercados e produtos para reduzir a exposição a choques específicos. Um défice comercial persistente pode ter implicações a médio prazo na taxa de crescimento do PIB e, por consequência, no emprego e nos rendimentos. Para acompanhar os dados mais recentes, o portal do INE (ine.pt) e o Banco de Portugal publicam regularmente estatísticas actualizadas sobre o comércio externo português.




