As comissões bancárias são um custo que muitos portugueses suportam todos os meses sem questionar. Em 2026, porém, não há razão para pagar comissões desnecessárias: o mercado oferece alternativas gratuitas e o Banco de Portugal disponibiliza um comparador online que permite confrontar as taxas cobradas por todas as instituições que operam em Portugal. Este guia explica como funciona o sistema, que comissões existem e como pode poupar.
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Que Comissões Podem os Bancos Cobrar?
Os bancos portugueses podem cobrar uma variedade de comissões associadas à gestão da conta de pagamento. As mais comuns incluem:
- Comissão de manutenção de conta: Taxa mensal ou anual pela gestão da conta corrente. Pode variar entre zero (em contas digitais) e mais de 10 euros por mês nos bancos tradicionais.
- Anuidade do cartão de débito ou crédito: Custo anual associado ao cartão. Muitas contas digitais oferecem cartão de débito sem anuidade.
- Transferências bancárias: Transferências SEPA dentro da zona euro são gratuitas desde 2012 por lei europeia, mas algumas instituições continuam a cobrar em certos canais.
- Levantamentos em caixas automáticas (ATM): Gratuitos na rede Multibanco para contas portuguesas, mas com comissões em ATMs estrangeiras.
- Emissão de cheques: Custo por livro de cheques ou por cheque emitido.
- Acesso a serviços de homebanking: Na maioria dos bancos já é gratuito, mas convém verificar.
Desde 2017, o Decreto-Lei n.º 107/2017 obriga os bancos a fornecer, a pedido do cliente, um documento informativo com todas as comissões praticadas — o chamado Documento de Informação sobre Comissões. Se nunca pediu este documento ao seu banco, peça hoje.
O Comparador de Comissões do Banco de Portugal
O Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal (clientebancario.bportugal.pt) disponibiliza um comparador de comissões bancárias totalmente gratuito. Esta ferramenta permite:
- Comparar os custos de 93 serviços associados a contas de pagamento em cerca de 200 instituições financeiras que operam em Portugal.
- Ver a evolução histórica das comissões desde janeiro de 2017.
- Filtrar por tipo de serviço, canal (balcão vs. online) e instituição.
- Identificar rapidamente qual o banco mais barato para os serviços que usa regularmente.
Os dados são actualizados diariamente pelas próprias instituições, pelo que reflectem sempre os valores vigentes. Usar esta ferramenta antes de abrir ou mudar de conta bancária pode representar uma poupança significativa ao longo do ano.
Quanto Custa Ter uma Conta Bancária em Portugal em 2026?
O custo médio de uma conta bancária tradicional em Portugal — incluindo manutenção de conta, anuidade do cartão de débito e operações básicas — ronda os 100 a 150 euros por ano, dependendo da instituição e do uso que faz da conta. Nos bancos digitais, esse custo pode ser zero.
A título de exemplo, em 2026 alguns dos bancos com comissões mais baixas ou nulas para particulares incluem o ActivoBank, o Moey (do Crédito Agrícola), o openbank (do Santander) e o Bankinter. O Revolut, embora seja uma fintech britânica, também opera amplamente em Portugal com conta gratuita e cartão de débito sem comissões para operações básicas.
Os bancos tradicionais — como a CGD, o Millennium BCP, o Santander e o BPI — tendem a ter comissões mais elevadas, mas oferecem em contrapartida uma rede de balcões e ATMs mais extensa, o que pode justificar o custo para quem valoriza o atendimento presencial.
Serviços Mínimos Bancários: A Conta para Todos
Desde 2012, qualquer cidadão residente em Portugal tem direito a abrir uma conta de serviços mínimos bancários em qualquer banco que preste este serviço. Esta conta inclui:
- Manutenção de conta corrente com cartão de débito.
- Acesso a homebanking.
- Levantamentos em ATM Multibanco.
- Transferências nacionais e SEPA.
- Pagamentos de serviços (água, electricidade, telecomunicações).
O custo máximo desta conta em 2026 é de 1% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o que corresponde a cerca de 5,37 euros por ano — praticamente gratuito. Qualquer pessoa pode solicitar a abertura desta conta, independentemente do nível de rendimentos ou situação financeira.
Como Reduzir as Comissões Bancárias
Existem várias estratégias práticas para reduzir ou eliminar as comissões bancárias:
- Use o canal digital sempre que possível: A mesma operação ao balcão pode custar várias vezes mais do que online ou via homebanking. Transfira fundos, pague facturas e consulte saldos pela app ou internet banking.
- Concentre as relações bancárias: Ter várias contas em bancos diferentes multiplica as comissões de manutenção. Consolide os seus produtos num único banco de confiança e negoceie condições.
- Negoceie com o seu banco: Se for um cliente com produtos múltiplos (crédito habitação, poupança, seguros), tem poder negocial. Peça a isenção de comissões ou a migração para pacotes com melhores condições.
- Considere um banco digital como conta secundária: Muitos portugueses mantêm a conta no banco tradicional para o crédito habitação e usam uma conta digital (sem comissões) para as operações do dia-a-dia.
- Compare antes de mudar: Use o comparador do Banco de Portugal para perceber quanto pouparia ao mudar de banco antes de tomar a decisão.
Direitos do Consumidor: O Que Pode Exigir ao Seu Banco
A legislação portuguesa e europeia garante aos clientes bancários um conjunto de direitos importantes em matéria de comissões. Tem o direito a:
- Receber um extrato anual das comissões pagas no ano anterior (denominado Demonstrativo de Comissões), que o banco tem de enviar gratuitamente até ao final de janeiro de cada ano.
- Ser notificado com pelo menos dois meses de antecedência de qualquer alteração às comissões praticadas.
- Rejeitar as novas condições e fechar a conta sem custos adicionais, caso o banco altere as comissões de forma desfavorável.
- Apresentar reclamação no Banco de Portugal ou na DECO caso considere que as comissões cobradas não estão em conformidade com a lei.
Exercer estes direitos é a melhor forma de garantir que paga apenas pelo que usa e no valor justo. Antes de aceitar passivamente novas comissões, compare alternativas — pode descobrir que poupar 100 euros por ano é mais simples do que parecia.


