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Crédito habitação em Portugal: concessão cai para mínimo de 12 meses em fevereiro de 2026

A concessão de crédito habitação caiu para o nível mais baixo em 12 meses em fevereiro de 2026, refletindo maior cautela dos bancos e das famílias.

O mercado de crédito habitação em Portugal registou em fevereiro de 2026 o valor mais baixo dos últimos doze meses em termos de novos empréstimos concedidos. De acordo com dados do Banco de Portugal, as instituições de crédito concederam 1.673 milhões de euros em novos empréstimos para habitação nesse mês — uma queda de 120 milhões face a janeiro e o nível mais baixo desde fevereiro de 2025.

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Este recuo levanta questões sobre a dinâmica do mercado imobiliário e habitacional português e sobre o que os consumidores devem saber antes de contratar ou renegociar um crédito habitação em 2026.

Por que razão caiu a concessão de novos créditos?

A descida nos valores de crédito habitação concedido em fevereiro pode ter várias explicações. Em primeiro lugar, trata-se habitualmente de um mês com menos transações imobiliárias, o que reduz naturalmente a procura de financiamento. Em segundo lugar, o aumento gradual dos preços dos imóveis em Portugal — especialmente nas grandes cidades — tem colocado algumas habitações fora do alcance de muitas famílias, mesmo com taxas de juro mais baixas.

Também as novas regras sobre amortizações antecipadas, em vigor desde 1 de janeiro de 2026, podem ter tido algum impacto no comportamento dos consumidores. A reintrodução da comissão de amortização antecipada de 0,5% para créditos a taxa variável — suspensa durante o período de subida acentuada das taxas Euribor — tornou algumas operações de renegociação ou liquidação antecipada ligeiramente menos vantajosas do que no ano anterior.

Qual é a taxa de juro atual nos novos créditos habitação?

Apesar da queda no volume de novos empréstimos, as condições de financiamento continuam favoráveis. A taxa de juro média nas novas operações de crédito habitação situou-se em 2,83% em fevereiro de 2026 — praticamente inalterada face a janeiro (2,84%) e bem abaixo dos máximos registados em 2023, quando as taxas chegaram a superar os 4,5%.

Portugal posiciona-se assim como um dos países da zona euro com taxas de juro médias mais baixas em crédito habitação, encontrando-se 0,53 pontos percentuais abaixo da média europeia. Apenas Malta, Espanha e Finlândia apresentam valores inferiores.

Em termos de tipo de taxa:

  • Taxa mista: representa 76% dos novos empréstimos, com taxa média de 2,71% — a opção mais popular entre os compradores portugueses.
  • Taxa variável: média de 2,85%, indexada geralmente à Euribor a 6 ou 12 meses.
  • Taxa fixa: média de 3,72%, mais elevada mas que oferece maior previsibilidade ao longo do prazo do empréstimo.

A prestação mensal média continua a subir

Um dado que merece atenção é o facto de a prestação média mensal dos novos créditos habitação ter subido para 422 euros em fevereiro de 2026, registando o sexto mês consecutivo de aumento. Este aparente paradoxo — taxas de juro estáveis mas prestações a subir — explica-se principalmente pelo aumento do valor dos imóveis financiados. Os compradores estão a pedir empréstimos maiores para adquirir casas mais caras.

Este dado é particularmente relevante para os jovens portugueses e para quem está a planear a sua primeira compra de habitação. Uma prestação de 422 euros pode parecer acessível, mas o custo total do empréstimo ao longo de 30 ou 35 anos é substancialmente maior, e convém simular cenários com diferentes taxas de juro antes de assinar qualquer contrato.

O que antecipar para os próximos meses?

As perspetivas para o crédito habitação em Portugal em 2026 mantêm-se cautelosamente positivas. A estabilidade das taxas Euribor — em torno de 2% — proporciona um contexto previsível para quem está a ponderar contratar um empréstimo. Por outro lado, a decisão do BCE de manter os juros inalterados na reunião de março não abre espaço para descidas adicionais das prestações a curto prazo.

O mercado imobiliário continuará a ser pressionado pela escassez de oferta habitacional, especialmente em Lisboa e Porto, o que mantém os preços elevados e dificulta o acesso à habitação para muitas famílias. Programas de apoio governamentais, como a garantia pública para jovens até 35 anos, continuam a ser um instrumento importante para facilitar o acesso ao crédito em condições mais favoráveis.

Dicas para quem está a planear contratar crédito habitação

Se está a ponderar comprar casa com recurso a crédito em 2026, existem alguns pontos que convém ter presentes. Em primeiro lugar, compare sempre as propostas de vários bancos e utilize simuladores online para perceber qual a taxa efetiva global (TAEG) que cada instituição oferece, pois é este indicador — e não apenas a taxa nominal — que permite comparar o custo real de cada proposta.

Em segundo lugar, pondere se a taxa variável, fixa ou mista é a mais adequada ao seu perfil. Num contexto de taxas estáveis, a taxa mista pode ser uma opção equilibrada: oferece um período inicial de taxa fixa (geralmente 5 a 10 anos) e depois passa para taxa variável, o que pode ser vantajoso se as taxas desceram entretanto.

Por fim, pode valer a pena recorrer a um intermediário de crédito certificado pelo Banco de Portugal, que pode ajudar a encontrar as melhores condições no mercado e a navegar a complexidade do processo de financiamento habitacional.