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Certificados de Aforro sobem para 2,138% em abril: o maior salto em mais de dois anos

A taxa dos Certificados de Aforro subiu para 2,138% em abril de 2026, o maior aumento em mais de dois anos, num sinal positivo para os aforradores mais conservadores.

Os Certificados de Aforro vão registar uma subida expressiva da sua taxa de juro em abril de 2026. De acordo com o IGCP — Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública —, a taxa bruta passa dos 2,012% de março para 2,138% em abril, um aumento de 0,126 pontos percentuais. Trata-se do maior salto mensal desde fevereiro de 2023 e do valor mais elevado desde maio de 2025, quando a taxa ainda se situava nos 2,162%.

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O que explica esta subida?

A taxa dos Certificados de Aforro da Série F — a série atualmente em comercialização — é calculada com base na média da Euribor a 3 meses do mês anterior, acrescida de um spread de 0%. Isso significa que o índice oscila ao ritmo da Euribor, sem qualquer bónus adicional nesta série.

Em março de 2026, a Euribor a 3 meses manteve-se “constantemente acima dos 2,1%”, impulsionada pela incerteza geopolítica no Médio Oriente, que pressionou os preços da energia e gerou expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) não reduziria as suas taxas tão rapidamente quanto se antecipava. Esta recuperação do índice de referência traduziu-se diretamente num aumento da remuneração dos Certificados de Aforro para o mês seguinte.

Quanto rende um Certificado de Aforro em abril?

A taxa de 2,138% bruta corresponde, após retenção na fonte do IRS à taxa de 28%, a uma taxa líquida de aproximadamente 1,54%. Para quem subscreva o montante máximo permitido — 100.000 euros por investidor —, os juros anuais líquidos atingiriam cerca de 1.540 euros.

Os juros capitalizam automaticamente de forma trimestral, o que significa que ficam a render sobre si próprios ao longo do tempo. Esta característica, aliada à garantia de capital e à liquidez (é possível resgatar os títulos a qualquer momento após 3 meses de detenção), torna os Certificados de Aforro um instrumento de poupança especialmente apelativo para perfis mais conservadores.

Certificados de Aforro vs. Depósitos a Prazo: qual é a melhor opção?

A comparação com os depósitos a prazo é inevitável. Em janeiro de 2026, a taxa média dos depósitos a prazo nos bancos portugueses situava-se nos 1,34%, cerca de 80 pontos base abaixo da taxa dos Certificados de Aforro para abril. Esta diferença é considerável: num depósito de 50.000 euros, a diferença de remuneração anual seria de cerca de 400 euros em favor dos Certificados.

No entanto, é justo reconhecer que alguns bancos oferecem taxas pontuais mais competitivas em campanhas específicas, especialmente para novos clientes ou para depósitos de elevado montante. Por isso, convém comparar as condições em vigor no momento da subscrição — existem plataformas de comparação online que facilitam esta análise.

Para a maioria dos aforradores portugueses, os Certificados de Aforro continuam a ser uma das opções mais vantajosas disponíveis no mercado, combinando segurança (garantia do Estado), liquidez razoável e rendimento competitivo.

Como estão a comportar-se em 2026?

O início de 2026 foi marcado por uma sequência de ligeiras descidas da taxa dos Certificados de Aforro: de 2,046% em janeiro para 2,031% em fevereiro e 2,012% em março. Esta tendência refletia as descidas da Euribor provocadas pelos cortes do BCE em 2025. A subida para 2,138% em abril representa uma inversão desta tendência, ainda que pontual.

O stock total de Certificados de Aforro aproxima-se dos 41 mil milhões de euros, e fevereiro de 2026 registou subscrições líquidas de 291,2 milhões de euros — o que demonstra o apetite continuado dos portugueses por este instrumento. Desde há 17 meses consecutivos que os Certificados registam entradas líquidas positivas.

Como subscrever Certificados de Aforro?

A subscrição de Certificados de Aforro é feita exclusivamente através da plataforma AforroNet (aforronet.igcp.pt), do Portal das Finanças ou nos balcões dos CTT — Correios de Portugal. Não é possível subscrever através dos bancos comerciais.

Para subscrever, é necessário ter um Número de Identificação Fiscal (NIF) português, uma conta bancária em Portugal e acesso ao Número de Identificação Pessoal (NIP) dos serviços das Finanças. O montante mínimo de subscrição é de 100 euros e o máximo acumulado por investidor é de 100.000 euros.

Vale a pena subscrever agora?

Com a taxa a subir para 2,138% em abril, pode valer a pena considerar a subscrição ou o reforço da posição em Certificados de Aforro, especialmente para aforradores com perfil conservador que pretendam estacionar liquidez de forma segura. A evolução futura dependerá da trajetória da Euribor a 3 meses, que por sua vez está condicionada pelas decisões do BCE nos próximos meses.

Para uma decisão informada e adaptada à sua situação pessoal, convém consultar um especialista financeiro ou um consultor certificado que possa analisar o seu perfil de risco, horizonte temporal e objetivos de poupança.

Fontes: IGCP, ECO.pt, Público — março/abril 2026.