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Certificados de Aforro em Abril de 2026: Taxa Sobe para 2,138% no Maior Salto em Dois Anos

A taxa dos Certificados de Aforro subiu para 2,138% em abril — o maior salto em dois anos — tornando este produto mais competitivo face aos depósitos bancários.

Os Certificados de Aforro estão de regresso ao centro das atenções dos aforradores portugueses. Em abril de 2026, a taxa de juro bruta para novas subscrições da Série F foi fixada em 2,138% — o maior aumento registado em mais de dois anos. Esta subida representa um acréscimo de 12,6 pontos base face aos 2,012% de março e é um sinal que muitos investidores conservadores estavam à espera para reavaliar as suas opções de poupança.

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O Que São os Certificados de Aforro e Como Funcionam

Os Certificados de Aforro são instrumentos de dívida pública destinados exclusivamente a particulares residentes em Portugal. São emitidos pelo IGCP — Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública e representam uma forma direta de emprestar dinheiro ao Estado português, recebendo em troca uma remuneração periódica sob a forma de juros.

O produto é considerado um dos mais seguros do mercado, dado que o risco de crédito é assumido pelo próprio Estado. Não há comissões de subscrição nem de resgate, e os juros são capitalizados anualmente. O montante mínimo de subscrição é de apenas 1 euro por unidade, o que torna o produto acessível a praticamente todos os aforradores, independentemente do seu nível de rendimentos.

Atualmente, a Série F é a única disponível para novas subscrições e a sua taxa de juro base é calculada com base na Euribor a 3 meses, com referência aos 10 dias úteis anteriores ao mês de subscrição. É precisamente este mecanismo que explica a subida de abril: a Euribor a 3 meses registou valores acima de 2,1% nos dias de referência, empurrando a remuneração dos Certificados para cima.

Maior Subida em Mais de Dois Anos: O Que Está Por Detrás?

A taxa de 2,138% em abril de 2026 representa não apenas uma subida significativa face ao mês anterior, mas também o nível mais alto desde maio de 2025. Nos últimos meses, a taxa base dos Certificados de Aforro tinha registado várias descidas consecutivas, acompanhando a trajetória de redução de juros do Banco Central Europeu. Porém, a volatilidade mais recente nos mercados financeiros — associada às tensões geopolíticas e ao impacto das tarifas comerciais norte-americanas — trouxe de volta alguma pressão ascendente sobre as taxas de curto prazo.

Para o aforrador comum, isto significa que quem subscrever Certificados de Aforro em abril beneficiará de uma remuneração mais elevada do que em meses anteriores. A diferença pode parecer pequena em termos percentuais, mas ao longo de 10 ou 15 anos de acumulação de juros capitalizados, o efeito do juro composto torna-se considerável.

Quanto Pode Render uma Subscrição em Abril de 2026?

De acordo com as projeções disponíveis, uma subscrição de 100 euros realizada em abril de 2026 pode render mais de 36 euros brutos ao longo de 15 anos — o prazo máximo do produto. Para montantes superiores, o efeito é proporcional.

É importante ter em conta que os rendimentos dos Certificados de Aforro estão sujeitos a retenção na fonte a uma taxa de 28% de IRS sobre os juros, ou 35% no caso de titulares residentes em territórios de fiscalidade privilegiada. O investidor pode, contudo, optar pelo englobamento, o que poderá ser vantajoso para quem se situa nos escalões mais baixos do IRS.

Há ainda os chamados prémios de permanência: quem mantiver os Certificados por um período mais longo recebe prémios adicionais sobre os juros base. Estes prémios aumentam progressivamente ao longo dos anos e podem melhorar significativamente a rendibilidade final do produto.

Stock de Certificados Aproxima-se dos 41 Mil Milhões de Euros

Segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal, os Certificados de Aforro captaram 291,2 milhões de euros em subscrições líquidas positivas em fevereiro de 2026, marcando o 17.º mês consecutivo de entradas líquidas. O stock total deste produto de poupança aproxima-se dos 41 mil milhões de euros, o que demonstra a confiança crescente que os portugueses depositam neste instrumento.

Este número é particularmente relevante quando se considera que, há apenas alguns anos, os Certificados de Aforro passaram por um período de saídas líquidas prolongadas, quando as taxas de juro eram próximas de zero ou até negativas. A normalização da política monetária do BCE inverteu completamente este padrão.

Certificados de Aforro vs. Depósitos a Prazo: O Que Escolher?

Com a taxa dos Certificados de Aforro em 2,138% para abril, a comparação com os depósitos a prazo torna-se inevitável. Algumas instituições bancárias ainda oferecem depósitos a prazo com taxas brutas superiores para determinados prazos — sobretudo em campanhas pontuais. No entanto, os Certificados têm vantagens que vão além da taxa:

  • Sem risco de crédito bancário — o garante é o Estado português, que acaba de ver a sua notação subir para o clube A das agências de rating.
  • Sem comissões de subscrição ou resgate — ao contrário de alguns depósitos com penalizações por resgate antecipado.
  • Capital garantido — ao contrário de fundos de investimento ou produtos estruturados.
  • Prémios de permanência — que incrementam a rendibilidade ao longo dos anos.

A desvantagem principal é a taxa de remuneração relativamente modesta comparada com produtos de maior risco, como fundos de ações ou ETF. Para perfis conservadores ou para uma parcela da poupança de longo prazo, os Certificados de Aforro continuam a ser uma opção a considerar seriamente.

Como Subscrever Certificados de Aforro em 2026

A subscrição pode ser feita exclusivamente através do AforroNet, a plataforma online do IGCP, acessível em aforro.igcp.pt. É necessário possuir o Cartão de Cidadão com leitores ativados ou usar a Chave Móvel Digital. O processo é simples e pode ser concluído em poucos minutos.

Cada subscritor pode deter no máximo 250 unidades por série (ou seja, 250 euros por série), o que limita o montante máximo aplicável neste produto. Quem pretender aplicar montantes maiores terá de distribuir a poupança por outros instrumentos.

Convém também acompanhar mensalmente a evolução da taxa base, divulgada pelo IGCP no último dia útil de cada mês para vigorar no mês seguinte. Esta transparência é uma das características que torna o produto particularmente previsível para o planeamento financeiro pessoal.

Vale a Pena Investir Agora?

A subida da taxa para 2,138% em abril é, sem dúvida, uma boa notícia para os aforradores mais conservadores. No entanto, antes de tomar qualquer decisão, convém ponderar alguns fatores: o seu horizonte temporal de investimento, as necessidades de liquidez a curto prazo (os Certificados têm um prazo mínimo de 3 meses antes de poderem ser resgatados sem penalização total) e o enquadramento fiscal da sua situação.

Para quem procura uma alternativa segura e gerida pelo Estado para uma parte das suas poupanças, os Certificados de Aforro em abril de 2026 apresentam-se com o melhor nível de remuneração dos últimos meses. Pode valer a pena considerar esta opção como complemento a outras formas de poupança, como depósitos a prazo ou PPR. Em caso de dúvida, convém consultar um especialista financeiro certificado.