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Cabaz Alimentar Atinge Novo Recorde de 257,95€ em Abril de 2026

O cabaz de 63 produtos essenciais monitorizado pela DECO bateu o valor mais alto desde 2022

A ida ao supermercado nunca foi tão cara. Na semana de 1 a 8 de abril de 2026, o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste atingiu 257,95 euros — o valor mais elevado desde que a associação de defesa do consumidor começou a acompanhar semanalmente os preços de 63 produtos essenciais, em 2022. Face à semana anterior, o cabaz subiu 2,95 euros. Face a abril do ano passado, o mesmo conjunto de produtos custa agora mais 19,79 euros. E desde o início de 2022, o aumento acumulado chega aos 70,25 euros — o equivalente a mais de uma semana de compras adicional por mês, em quatro anos.

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Os dados chegam num momento de pressão crescente sobre as famílias portuguesas, que já enfrentam o aumento das rendas, da água, do gás e dos combustíveis. A alimentação, que representa uma das maiores fatias do orçamento familiar, está a tornar-se um encargo cada vez mais pesado — e as perspetivas para os próximos meses não são animadoras.

O Que Subiu Mais Esta Semana

Entre os 63 produtos do cabaz, os aumentos mais expressivos na última semana foram registados nas massas e no peixe em conserva, categorias que concentraram as subidas mais bruscas em termos percentuais:

  • Massa esparguete: subiu 24%, para 1,18 euros
  • Massa espiral: subiu 18%, para 1,37 euros
  • Atum em posta em óleo vegetal: subiu 16%, para 1,65 euros

Estas subidas semanais acima de 15% são invulgares e refletem, em parte, a volatilidade dos mercados de matérias-primas e os efeitos dos custos de transporte e energia na cadeia de distribuição alimentar.

Os Produtos Que Mais Subiram no Último Ano

Olhando para a variação homóloga — ou seja, o que cada produto custa hoje face ao mesmo período do ano passado —, os dados são ainda mais reveladores. O carapau registou a maior subida, com um aumento de 55% em termos anuais. A couve-coração seguiu-se com +49%, e os brócolos com +42%. São, em grande parte, produtos portugueses e de produção local, o que demonstra que os aumentos não se explicam apenas pela inflação importada.

Desde o início de 2026, os produtos que mais encareceram foram:

  • Tomate chucha: +55%
  • Brócolos: +18%

E desde o início da monitorização em 2022, os aumentos acumulados de alguns produtos são difíceis de ignorar:

  • Carne de novilho para cozer: +124% — o preço mais do que duplicou em quatro anos
  • Couve-coração: +113%
  • Ovos: +84%

Estes números colocam em perspetiva o que significa, concretamente, a erosão do poder de compra das famílias portuguesas. Um agregado familiar que gastasse 187,70 euros por semana neste conjunto de 63 produtos em 2022 gasta hoje 257,95 euros — um aumento de 37,4% em quatro anos.

O Que Está Por Detrás da Subida dos Preços Alimentares

A associação de supermercados APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) já tinha antecipado, no final de 2025, que os preços dos alimentos iriam continuar a subir em 2026. Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, declarou que a subida era “inevitável”, com pressão particular na carne e no peixe — onde estimava aumentos na ordem dos 7% — e pressão acrescida em frutas e legumes, cacau e café.

Vários fatores explicam a tendência de alta:

  • Custos de energia: o preço do petróleo acima dos 100 dólares por barril encarece o transporte e a distribuição de alimentos, com repercussão direta nos preços ao consumidor.
  • Alterações climáticas: fenómenos meteorológicos extremos têm afetado as colheitas em Portugal e na Europa, reduzindo a oferta de produtos frescos e pressionando os preços em alta.
  • Custos de produção: a energia elétrica, os fertilizantes e a mão de obra são mais caros do que antes da pandemia, e esses custos acabam por ser transferidos para o consumidor final.
  • Tensões comerciais internacionais: as novas tarifas norte-americanas sobre produtos europeus, em vigor a partir de abril de 2026, podem pressionar ainda mais os preços de determinados bens importados ou de matérias-primas transacionadas globalmente.

Como Funciona a Monitorização da DECO

O cabaz alimentar da DECO PROteste é composto por 63 produtos essenciais distribuídos por seis categorias: carnes, congelados, frutas e legumes, lacticínios, mercearia e peixe. Entre os produtos acompanhados encontram-se peru, frango, carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, massa, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

Os preços são recolhidos semanalmente em várias insígnias de supermercado, permitindo uma visão atualizada da evolução do custo dos bens alimentares básicos. É atualmente um dos indicadores mais acompanhados pelos meios de comunicação e pelas famílias portuguesas para avaliar o impacto da inflação alimentar no dia a dia.

A taxa de inflação homóloga do Índice de Preços no Consumidor situou-se em 2,7% em março de 2026, com os produtos alimentares a registarem subidas acima da média geral — o que significa que a alimentação está a encarecer mais rapidamente do que o conjunto dos preços na economia portuguesa.

O Que Pode Fazer Para Poupar nas Compras

Perante este cenário, é natural perguntar: existe margem para poupar? Sim — embora cada vez menor. Algumas estratégias que continuam a fazer diferença no orçamento familiar:

  • Comparar preços entre insígnias: a diferença de preço no mesmo produto pode ser significativa entre cadeias de supermercado. As ferramentas de comparação de preços disponíveis online permitem verificar onde determinado produto está mais barato.
  • Privilegiar marcas próprias: os produtos de marca branca mantêm, em geral, uma diferença de preço relevante face às marcas de fabricante, mesmo com os aumentos recentes.
  • Planear as refeições com antecedência: comprar apenas o que se vai consumir reduz o desperdício alimentar, que representa um custo adicional invisível para as famílias.
  • Aproveitar promoções e campanhas: comprar em maior quantidade quando há promoções em produtos não perecíveis (massa, arroz, conservas) pode gerar poupanças significativas ao longo do mês.
  • Reduzir o desperdício: segundo estudos sobre comportamento de consumo, uma família portuguesa desperdiça em média cerca de 30% dos alimentos que compra. Reduzir este desperdício é, na prática, uma forma de “recuperar” parte do aumento dos preços.

O cenário para os próximos meses permanece incerto. Com as tensões geopolíticas a manterem os preços da energia elevados, as alterações climáticas a pressionar a produção agrícola e os custos da cadeia de distribuição a manterem-se elevados, não há sinais de que a pressão sobre o cabaz alimentar vá aliviar a curto prazo. Acompanhar a evolução dos preços e ajustar os hábitos de consumo continua a ser a melhor forma de gerir o impacto no orçamento familiar.