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Euribor Sobe em Abril de 2026: Prestação da Casa Fica Mais Cara

Depois de meses de descida, a Euribor voltou a subir de forma expressiva em abril — o que significa uma prestação do crédito habitação mais cara para muitas famílias.

A Euribor subiu de forma expressiva em abril de 2026, invertendo a tendência de descida que se tinha observado nos últimos meses. Este aumento — o maior registado em três anos — vai traduzir-se numa subida da prestação do crédito habitação para centenas de milhares de famílias portuguesas cujos contratos são indexados às taxas variáveis. Se tem um empréstimo à habitação com taxa variável, é fundamental perceber o que está a mudar e o que pode fazer para gerir o impacto no seu orçamento familiar.

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Quanto Subiram as Taxas Euribor em Abril?

As três principais maturidades da Euribor registaram subidas consideráveis face à última revisão. A Euribor a 6 meses — o indexante mais utilizado nos contratos de crédito habitação em Portugal — passou de 2,102% para 2,322%, um salto de cerca de 0,22 pontos percentuais. A Euribor a 12 meses subiu de 2,398% para 2,565%, enquanto a Euribor a 3 meses aumentou de 2,050% para 2,109%.

Estas subidas ocorrem num contexto de tensão geopolítica no Médio Oriente que tem pressionado os preços da energia e alimentado expetativas de inflação mais elevada em toda a zona euro. Os mercados financeiros anteciparam este cenário com antecedência, fazendo subir as taxas de juro de curto e médio prazo muito antes de qualquer decisão do Banco Central Europeu (BCE).

Qual é o Impacto Concreto na Prestação Mensal?

Para perceber o impacto real destas subidas, é útil recorrer a simulações com base num empréstimo típico de 150 000 euros a 30 anos, com uma margem comercial (spread) de 1%. Os resultados são os seguintes:

  • Euribor a 6 meses: a prestação mensal sobe para 658,75 euros, um aumento de 18,06 euros face à revisão anterior de outubro de 2025.
  • Euribor a 12 meses: a prestação sobe para 679,02 euros, mais 13,96 euros do que na revisão de abril de 2025.
  • Euribor a 3 meses: a prestação passa para 641,26 euros, um acréscimo de 4,80 euros.

Estes valores referem-se apenas ao exemplo acima. O impacto concreto no seu caso dependerá do capital em dívida, do prazo restante do empréstimo e do spread contratado com o banco. Para calcular exatamente o novo valor da sua prestação, pode usar o simulador disponível no sítio do Banco de Portugal ou contactar diretamente a sua instituição de crédito.

Por Que Estão as Euribor a Subir Agora?

Depois de uma tendência consistente de descida ao longo de 2024 e boa parte de 2025, as taxas Euribor inverteram o rumo nas últimas semanas de março. A principal razão prende-se com a escalada do conflito no Médio Oriente, que fez disparar os preços do petróleo Brent acima dos 100 dólares por barril — aproximando-se dos 120 dólares em momentos de maior volatilidade. Este choque energético reacendeu os receios de uma inflação mais persistente na zona euro.

Apesar de o BCE ter mantido as suas taxas diretoras inalteradas na reunião de março de 2026, os mercados financeiros começaram a descontar a possibilidade de a autoridade monetária ter de adiar os cortes de juro que estavam previstos para o segundo semestre. O BCE tem a próxima reunião de política monetária agendada para 29 e 30 de abril, onde este cenário deverá ser reavaliado.

O Que Fazer Se a Sua Prestação Vai Subir?

Se a revisão do seu crédito habitação ocorre em abril, a subida da prestação é praticamente inevitável. No entanto, há algumas medidas que pode considerar para minimizar o impacto:

  • Renegociar o spread com o banco: Se o seu contrato é antigo, pode ter um spread mais elevado do que os praticados atualmente. Negociar uma redução pode compensar parcialmente a subida da Euribor.
  • Ponderar a mudança para taxa fixa ou mista: Alguns especialistas sugerem que, num contexto de incerteza, uma taxa fixa por dois a cinco anos pode proteger o orçamento familiar de novas subidas. Convém comparar as propostas dos vários bancos e calcular o custo total de cada opção.
  • Considerar a transferência do crédito: O mercado continua competitivo e pode valer a pena pedir propostas a outros bancos. A transferência de crédito habitação é gratuita e pode resultar em condições mais vantajosas.
  • Rever o orçamento familiar: Um aumento de 15 a 20 euros por mês pode parecer pouco, mas acumulado ao longo do ano representa uma despesa adicional que convém contemplar no planeamento financeiro.

Convém sempre consultar um intermediário de crédito ou um especialista financeiro antes de tomar decisões, especialmente em contextos de maior volatilidade como o atual.

Perspetivas Para os Próximos Meses

A evolução futura das taxas Euribor dependerá, em grande medida, da decisão do BCE em abril e da trajectória dos preços da energia. Se o conflito geopolítico se agravar e a inflação continuar a acelerar, os mercados poderão antecipar novas subidas. Se, pelo contrário, o BCE sinalizar que mantém as taxas estáveis por mais tempo, as Euribor poderão estabilizar nos níveis atuais ou até recuar ligeiramente.

A DECO PROteste e outras entidades de defesa do consumidor têm alertado para a necessidade de as famílias manterem uma almofada financeira suficiente para absorver eventuais aumentos nas prestações. Manter dois a três meses de prestações em poupança de emergência é uma prática recomendada por vários especialistas em finanças pessoais.

Em suma, abril de 2026 marca um ponto de inflexão no ciclo das taxas de juro em Portugal. Acompanhar de perto a evolução das Euribor, perceber as condições do seu contrato e agir com antecedência são as melhores ferramentas para proteger as suas finanças neste contexto.